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Zé Eduardo e Rosseto falam, mas não dizem nada!

Aguardei com ansiedade o pronunciamento dos dois ministros que, em nome da presidente Dilma, expressaria a percepção do Governo diante do fato irrecusável de que mais de um milhão de pessoas foram as ruas do país para protestar contra a corrupção e o governo petista.

Dizer que hoje, quem protestou, foram apenas os eleitores do Aécio e Marina é de uma alienação política estúpida e irresponsável.É justamente fazer o jogo do “terceiro turno” que os petistas acusam a oposição. O sentimento popular anti-Dilma está muito além dos eleitores de Aécio em 2014, não é por acaso que a presidente tem 7% de apoio na pesquisa. Matematicamente, suponho que muitos eleitores de Dilma já se arrependeram do voto dado.

O pacote de medidas anticorrupção não saiu até agora. Dilma prometeu isso nas jornadas de junho, depois nas eleições presidenciais de 2014 e ainda no discurso de posse. Nada até o momento. Os dois ministros dizem que “nos próximos dias” a presidente anunciará “medidas duras”. Mais uma vez, pede-se paciência, enquanto em diversos locais de classe média pipocava um panelaço contra a fala dos dois.

É espantoso perceber que nenhum dos dois assumiu qualquer responsabilidade do Governo diante da situação de grave crise econômica e política. Para os ministros, o Governo “dialoga” com “todos”, mas não explica por que então a base de apoio está fragmentada? Se Dilma não consegue nem unir sua tropa política, como irá dialogar “até com a oposição” como disse Zé Eduardo?

É claro que precisamos de uma reforma política, mas querer jogar toda a culpa da corrupção no financiamento empresarial de campanha é jogar areia nos olhos de quem não conhece a história política desse país. Dilma sustentou a diretoria corrupta na Petrobras por longo prazo e isso não é um simples problema de mudança de lei eleitoral, ainda que uma reforma política ajude a sanear parcela da corrupção sistêmica no Brasil, mas não é salvação do mundo. Reforma política com elite política corrupta continuará gerando novos esquemas de corrupção, óbvio.

Miguel Rosseto repetiu o mantra de que os nossos problemas econômicos caíram da lua. Questões internacionais e falta de água. Nenhuma linha sobre as diretrizes estúpidas adotadas pelo ministro Guido Mantega e a equipe econômica da gastança. Nenhuma autocrítica. A culpa é das estrelas, como sempre.

De positivo foi a reafirmação dos valores democráticos e o repúdio contra setores minoritários — eles reconheceram que foram minoritários! — de extrema direita que, infiltrados nos protestos, usaram cartazes contra o STF e pedindo golpe militar. Nesse aspecto, todos os democratas devem se manter unidos contra as trevas do autoritarismo e da ignorância de um único manifestante que levou uma faixa contra o grande pedagogo Paulo Freire. Em todas as manifestações de massas – foi assim no “Fora Collor” e nas jornadas de junho de 2013 – sempre encontraremos alguns fascistas querendo “surfar”, o que não desmerece o protesto no seu conjunto nacional.

Depois da fala de quem ainda não entendeu o recado das ruas, permanecemos nós, brasileiras e brasileiros, aguardando os próximos passos de um Governo que, desorientado, pede que enviemos propostas e soluções para a crise. Faltou deixar um e-mail, pelo menos. Se estivéssemos vivendo em regime parlamentarista — e eu votei pelo parlamentarismo em abril de 1993, mas… — esse governo já teria caído, mas no presidencialismo agonizamos todos. Dilma vai falar. Amanhã, quem sabe.

P.S. É interessante observar militantes do PSOL, PSTU e dos partidos da chamada “oposição de esquerda” funcionando, na prática, como linha auxiliar do governismo petista enquanto arrotam nos corredores das Universidades e dos movimentos sociais que este seria um “governo neoliberal” ou “social-liberal”. Coerência zero! Nas eleições de 2016 eles vão, novamente, pedir o voto dos trabalhadores e do povo que repudia este governo.

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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