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Sobre o dia do amigo e a virtualidade da vida

Essa coisa de “dia do amigo” só pode ser uma invenção do diabo. Sim, pois na Bíblia ele é o pai de todas as confusões e inventar um dia só para as amigas e amigos é nos colocar em enrascadas tremendas. Vai que eu me esqueça de alguém importante? E os amigos que não usam o facebook, twitter e zapzap? O meu esquecimento seria sinal de desimportância? E aquelas/aqueles que nos consideram amigos de verdade, mesmo sem sabermos de tamanha deferência?

Não quero repetir o óbvio, mas sabemos que amigos são construções do cotidiano, diria até de uma vida inteira. Por outro lado, as novas tecnologias (como as redes sociais) tem se transformado em pontes para novas amizades e até mesmo para resgatar velhos amigos que estavam perdidos pelas encruzilhadas da vida.

Alguns contestam. Acham que amigos virtuais não existem ou são fantasmagorias dos nossos desejos e expectativas. Namoro então, nem pensar! Para estes, só existe o que se toca, se vê com os olhos e se pode abraçar fisicamente. Pode ser, mas confesso que há pessoas que eu conheço virtualmente e nem tive o prazer de conhecer pessoalmente mas, “estranhamente”, tenho por elas um imenso carinho, semelhante aos meus amigos “presenciais”, digamos assim. Preocupo-me com elas, de verdade!

Hoje, como “dia do amigo”, milhões de pessoas estão fazendo postagens especiais no Facebook, enviando palavras de carinho para uma rede de pessoas pelo WhatsApp, mas poucos tem tempo – e as vezes, nem tem créditos no celular – para um telefonema ou para marcar um encontro pessoal. Tais contatos humanos, à moda antiga, numa sociedade estressada e de tempo curtíssimo, vão se tornando coisas do passado.

O mais esquisito é que esses contatos virtuais do tipo “feliz dia do amigo” nos dá uma percepção “verdadeira” (ou seria ilusão cognitiva?) que estamos “realmente” em contato, que falamos hoje com o fulano e o cicrano. Ora, mas nossa postagem com marcações especiais não é mesmo real? Não é uma lembrança verdadeira? A pessoa não deve mesmo se sentir feliz pela lembrança do outro? Creio que sim.

Eu ainda estou buscando entender a dinâmica sociopsiquica das redes sociais. Há muitas questões positivas, mas há também distorções cognitivas. Não sei bem em que nível, mas as relações humanas estão agora profundamente afetadas e redesenhadas pelo fenômeno das interações virtuais. Seja lá como for, escrevi isto apenas para dizer a você, minha amiga, meu amigo, presencial ou virtual:

TENHA UM DIA FELIZ!

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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