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RIO: A urgente unidade do campo democrático-progressista

Vencer a máquina do PMDB na eleição de 2016 não será fácil, mesmo que o candidato seja o rixento Pedro Paulo. A unidade do campo democrático-progressista é fundamental. Precisamos poupar energia e evitarmos choques internos.

Recentemente, Jean Wyllys (deputado federal do PSOL-RJ) fez uma postagem infeliz que causou mal estar em todos os militantes da REDE Sustentabilidade e em todas as pessoas que defendem a verdade e o jogo limpo. Ele usou uma fotomontagem que associava Marina Silva ao conservador e preconceituoso pastor Ezequiel, dono da igreja “Projeto Vida Nova” e marido da ex-vereadora Marcia Teixeira. O conteúdo da postagem do deputado era ótimo, denunciando as tramoias de Ezequiel. Todos que militam pelos direitos humanos estavam de acordo, mas a imagem usada…

É claro que não foi Jean Wyllys, nem sua assessoria, que criou a fotomontagem, mas o parlamentar sabia que a mesma já havia sido repudiada pela campanha Marina Silva em 2014. Ele mesmo elogiou Marina e a campanha por esta atitude anti-homofóbica, mesmo assim, ele postou a tal fotomontagem grotesca. Poderia ter usado outra imagem, mesmo aproveitando o link, mas não fez. Deixou rolar.

Depois do mal-estar, houve uma chuva de protestos em sua página no facebook. Jean não reconheceu erro algum, nem pediu desculpas. Atacou ainda mais e com mais raiva. Passou a chamar os militantes da REDE de “igreja de Marina”, “fanáticos” e “seguidores de um novo Messias”. Não Jean Wyllys! Nós não somos idólatras, apenas respeitamos o bom senso e a verdade. Gostaríamos que tivesse sensibilidade para entender isso de forma pacífica e simples. Quer uma sugestão para recomeçarmos com o pé direito?

“Gente, perdoe-me por usar uma imagem já desmentida! Não fiz com a intenção de prejudicar Marina ou a Rede Sustentabilidade. Ainda que tenhamos nossas divergências de visão de mundo, não quero ser intelectualmente desonesto. A imagem estava no link e eu usei esse link na minha postagem de forma desatenta e sem calcular possíveis danos. Sigamos na luta e na paz”.

Aplausos! Se fizesse isso.

São situações conflitivas como esta que contribuem para a quebra do espírito de fraternidade dentro do campo democrático-progressista. No pós-ditadura, diziam que “a esquerda só se une na cadeia” (referência à repressão do regime civil-militar). É. Pode ser.

O fato é que ao atacar Marina Silva e a REDE, alguns militantes do PSOL agem aqui na cidade do Rio de Janeiro como laranjas dos interesses de Eduardo Paes e do PMDB. Exagerei? Pare e pense.

Qual é o nome que mais ameaça a hegemonia deles? Alessandro Molon!

Molon é de qual partido? REDE!

Se Molon sai candidato a prefeito do Rio terá muitos apoios, entre eles, o apoio de quem? Marina Silva!

Entenderam a jogada pré-eleitoral? Percebem o que significa danificar a imagem de Marina e da REDE?

O PSOL quer ajudar o PMDB? Quero crer que não. O equívoco de Jean Wyllys pode ser apenas um episódio isolado. PSOL e REDE poderão caminhar juntos em algum momento da eleição de 2016, como já acontece diariamente no Congresso Nacional.

O campo democrático-progressista poderá ter vários candidatos no Rio. Molon (REDE), Jandira (PCdoB) e Freixo (PSOL) são, até agora, os mais comentados. Se nós não tivermos sabedoria política, bom senso, unidade no essencial e muito diálogo interno, poderemos todos assistir a mais uma vitória da oligarquia do PMDB. Não necessariamente com o alquebrado Pedro Paulo, mas talvez com Osório (PSDB) ou Índio da Costa (PSD). Nossa fragmentação poderá ser nossa derrota.

A direita é pragmática e sempre unida. Ela sorri diante da nossa estúpida mania de demarcar diferenças o tempo inteiro ou de medir quem é mais esquerda do que o outro através de um “esquerdômetro” imaginário e neurótico. Não duvido que o PMDB terá apoio de 20 partidos e um latifúndio de tempo de TV e rádio. Ainda assim, esse campo democrático-progressista pode fazer a diferença e virar o jogo, derrotando a dinastia do PMDB. Temos que ter unidade no que é fundamental. O primeiro ponto é saber que é o nosso “campo adversário” e evitarmos brigar para dentro.

Vamos em frente. Precisamos construir a cidade que queremos e articularmos as forças políticas e sociais que desejam uma nova Prefeitura: democrática, sustentável, com gestão transparente nos recursos e conectada com os interesses da maioria de nossos povo, dos trabalhadores e da classe média, dos pequenos comerciantes e empresários, daqueles que realmente vivem e investem na nossa cidade. Romper com o capital especulativo, com as fraudes em licitações, com os grandes esquemas de obras caríssimas, com o cartel das empresas de ônibus, com a falta de participação popular nas decisões da gestão pública (nunca tivemos aqui um Orçamento Participativo, por exemplo). Precisamos romper com uma Câmara Municipal hegemonizada pelos interesses mesquinhos do varejo, do toma lá, dá cá. São muitas tarefas para uma frente democrática-progressista na gestão do município. Seria molecagem perdermos tempo com questões do ontem e do anteontem.

Abaixo, transcrição do Blog do Lauro Jardim – O Globo (19/02/2016):

“Pesquisas qualitativas do PMDB feitas para a disputa pela prefeitura do Rio apontaram que não é a agressão de Pedro Paulo à mulher o principal problema do partido na disputa — o que é natural seis meses antes do começo da campanha em TV.

A principal ameaça a Pedro Paulo chama-se Alessandro Molon”.

Veja aqui o texto publicado no jornal: http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/o-calo-de-pedro-paulo.html

 

 

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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2 respostas para “RIO: A urgente unidade do campo democrático-progressista”

Thiago said On 3 março 2016 Responder

O texto estava bom até usar o Lauro Jardim como fonte.

Marcio Sales Saraiva said On 11 março 2016 Responder

Nada é perfeito! ;)

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