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Qual Fachin venceu no Senado?

Quando o nome do jurista paranaense Luiz Edson Fachin foi indicado pela presidente Dilma Roussef, imediatamente começou a circular nas redes sociais um pequeno vídeo onde o mesmo aparece lendo uma declaração de apoio de jurista à campanha da petista em 2010. Aquilo me deixou ressabiado. Desconfiei de uma tentativa de aparelhamento do STF nas mãos de gente ligada ao PT.

 

Depois desse primeiro momento, li a defesa que o senador tucano Álvaro Dias (PR) fez sobre o suposto saber jurídico de Fachin e sua relação histórica com o PMDB, tendo inclusive votado em Mario Covas (PSDB) em 1989. Dias é um dos mais aguerridos opositores do governo Dilma.

 

Desconfiado de tudo e de todos, sem conhecimento sobre o mundo das “celebridades” jurídicas, eu mesmo fui pesquisar a vida de Luiz Edson Fachin. Encantei-me. Realmente, ele é um jurista de formação progressista e não um “vassalo” dos interesses de um partido político, ainda que tenha ocasionalmente apoiado Dilma em 2010.

 

Em seguida, fiz uma postagem defendendo o nome de Fachin. Óbvio que minha postagem não significa absolutamente nada no jogo jurídico-político que elege um novo ministro do STF. Mas como cidadão, militante LGBT e pesquisador da área política, eu acreditei que deveria me posicionar. E fiz. Não me arrependo disso.

 

Depois disso, assisti parte da sabatina dele no Senado e fiquei decepcionado. Não parecia ser o mesmo Fachin das minhas pesquisas. Seu discurso era contido, dócil, dissimulado com as palavras, conservador em diversos aspectos. Estranhei. Alguns amigos petistas e a galera do “apoio crítico” me confidenciaram que aquilo foi apenas um “jogo de cena”. Ele não queria desagradar os centristas e conservadores, pois precisaria de votos no Senado para a tal vaga deixada pelo polêmico Joaquim Barbosa.

 

Hoje leio n’O GLOBO que Fachin/Dilma “ganharam” com por 52 votos a 27. Sinceramente, eu nem sorri. Nenhuma alegria. Vencer usando tais expedientes de dissimulação não me parece ético. Agora fico na dúvida qual dos dois Fachin será ministro no STF: o progressista ou o conservador?

 

Outro incômodo é associar a vitória do nome dele ao governo Dilma. É injusto. Claro que o governo queria Fachin como ministro, tanto que o indicou, mas convenhamos. Ele recebeu apoio social e votos de pessoas ligadas ao PSDB, Rede Sustentabilidade, PPS, PSB (Romário votou nele) etc. Luiz Edson Fachin, com exceção da revista VEJA e do jornal O GLOBO, recebeu amplo apoio de pessoas de esquerda, centro e até na direita moderada. Atribuir isso ao governismo é equivocado.

 

Para terminar, torço sinceramente que ele possa exercer bem o seu papel no Supremo, com ousadia jurídica e independência. Na democracia que vivemos, o STF tem sido o poder que mais está se posicionando ao lado de causas importantes para quem deseja um Brasil justo, fraterno, laico, solidário e plural. Se dependêssemos somente do Congresso Nacional, nem sei como estaríamos hoje.

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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