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Onde andará a revolução?

Quando pensamos em mudança social e política esbarramos em uma estrutura de poder econômico, político e ideológico das classes empresariais dominantes que engessam qualquermudancismo radical. No máximo, as forças progressistas, socialistas e de esquerda conseguem alguns ganhos para os trabalhadores aqui e acolá, coisas pontuais, em Parlamentos subjugados aos interesses dos donos do capital.

A falta de uma consciência crítica por parte das classes subalternas e o reformismo da maioria dos partidos de esquerda que, ao invés de lutar por uma ruptura desse sistema capitalista, querem mais cargos para participar dele, por vezes se justificando com uma nobre tentativa de dar uma “feição humana” para o regime de exploração que vivemos.

O PT e o PDT de ontem não é o mesmo de hoje. Os partidos comunistas não têm mais espaço para uma crítica substantiva. O PC do B é uma lembrança daquilo que um dia foi. Seu apoio a aliança PT-PMDB não me parece um adequado “acúmulo de forças”, sem contar seus relacionamentos com regimes que violam os direitos humanos, uma tremenda “bola fora”. O MR-8 virou PPL e defende um programa reformista aliado aos empresários brasileiros, além disso, não esqueçamos, era o “pessoal do Quércia/PMDB” não faz tanto tempo assim. A esquerda brasileira de hoje é esquisita, pouco consistente, sem clareza ideológica ou, na outra ponta, dogmática e engessada, quase religiosa diante dos textos de são Marx.

Há uma tentativa de construir algo novo: a #Rede Sustentabilidade, mas ainda não está claro para onde caminhará esse projeto-partido. Se for uma nova esquerda para o século 21 que não abandone a ideia de ruptura sistêmica seria muito bom, mas…

Ainda temos o PCB, PSOL, PSTU, PRC, PC-ML e os isolados do PCO, mas não representam uma ameaça para a dominação burguesa, além das suas contradições internas e, em alguns casos, esquisitices ideológicas e radicalismos infantis.

E os outros partidos?

Fazem parte do hipócrita jogo eleitoral das democracias políticas desiguais, majoritárias e encasteladas na velha concepção de representação. Alternam-se no poder, sendo alguns dos seus membros mais ou menos alinhados com os interesses populares, a depender da conjuntura.

A luta é muito difícil e o ser humano parece mais e mais massificado e “unidimensional”, lembrando aqui de Herbert Marcuse.

O que nos resta então?

No meu caso, minha fé em Deus que um dia haverá “novos céus e nova terra”, que o Seu Reino será implantado entre nós e todo o mal, toda a injustiça será esmagada. No mais, apoiemos todos os focos de resistência crítica à ordem sociometabólica do capital, somando-se todos os movimentos de contestação que contribuam para uma reflexão crítica e para o acúmulo de forças das classes subalternas e oprimidas.

As massas populares, na sua maioria, parecem imersas em querer ter mais (consumismo doentio) e se alienar através de alguma droga lícita ou ilícita, incluindo os aparatos midiáticos, a indústria musical e alguns discursos religiosos conservadores.

Seguir em frente, fazendo a crítica e contribuindo onde for possível. Tempos bicudos, como diziam os antigos.

 

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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