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O ataque da direita bossa-nova

Depois dos movimentos de protestos de 2013, três caminhos foram tomados. Uma parcela voltou para a casa (apatia), outra ingressou em diversos movimentos sociais de caráter mais horizontal e progressista. Uma galerinha jovem, com discurso antipartidário, aderiu ao discurso liberal de direita e foi se aproximando do PSDB, DEM e PSC (do Bolsonaro). É essa direita bossa-nova (perdoe-me a verdadeira e maravilhosa bossa-nova brasileira!) que anda atacando a REDE e Marina Silva, mas não é gratuito. Há muitos interesses em jogo, inclusive partidários. Por isso, cabe esclarecer alguns pontos para que esses mequetrefes não ocupem o falso lugar de guardiões da moral nacional.

  • Marina Silva nunca esteve “na toca”, basta acompanhar suas redes sociais e diversas entrevistas, além de sua atuação pessoal. Portanto, a afirmação de que ela teria “saído da toca” depois de pesquisas eleitorais é uma mentira com nítidos interesses políticos. Querem desconstruir o capital ético da atuação de Marina Silva.

  • Afirmar que Marina “sabe” que o processo do TSE “é lento” e por isso mesmo ela defende que a chapa Dilma-Temer deve ser cassada somente nessa instância é embaralhar os dados de realidade e desconhecer a proposta do “Julga TSE”, concorde-se ou não com ela. Além do mais, analisar uma ação política a partir das intenções íntimas dos seus autores é sim um exercício de magia ou, quem sabe, de premonição que nenhum analista sério deveria adentrar. Observamos fatos, causalidades, mecanismos, mas nada podemos afirmar sobre o que está dentro da psique de um ator político. Somente pessoas levianas, irresponsáveis ou que desconhecem o que é ciência política fariam isso. Posso fazer juízo de ações concretas, mas não posso dizer o que está dentro da cabeça de “A” ou “B”.

  • Repetir o mantra de que Marina Silva “despercebeu” o crime – não é um “desastre” natural – de Mariana-MG é patifaria quando vindo de pessoas que são bem informadas. Aos ignorantes que não dispõe de tempo para ler todo o noticiário é concedido o beneplácito, mas para quem se acha líder de alguma coisa e repete mentiras é má fé, simples assim.

  • Mencionar nomes que saíram do PSOL e do PT para entrar na REDE, por convicção ideológica e em torno de um novo projeto de partido e paradigma, sem mencionar que milhares de pessoas também saíram do PPS, PDT, PCdoB para adentrarem nesse mesmo partido é, mais uma vez, faltar com a verdade e tentar colar na Rede a pecha de partido “esconderijo de petistas”. Esse tipo de engodo deveria ser rechaçado por qualquer democrata e por quem faz analises sérias no campo político.  Não precisa ser da REDE e nem concordar com Marina Silva para discordar abertamente dessa jovem direita bossa-nova. Além disso, esse tipo de discurso anti-PT e anti-PSOL só contribui para ampliar o preconceito contra partidos específicos ao invés de combatermos as práticas ilícitas de determinados atores. O mesmo “rigor ético-programático” não vejo quando o partido é o PSDB ou o DEM.

  • A paranoia da extrema-direita é ver “petismo”, “Foro de São Paulo” e “comunismo” em tudo quanto é canto. Quando interessa, mencionam o apoio de Marina ao Aécio em 2014. Em outros momentos, falam apenas da amizade com Lula e de seu papel como ex-militante do PT. A crítica é sempre seletiva e interesseira, adaptando-se ao público-alvo de quem espalha a calúnia e a malícia.

  • Pela sua postura independente, crítica e progressista, tanto Marina quanto a Rede Sustentabilidade vem sofrendo ataques – alguns covardes e mentirosos! – como se fossem “jararacas verdes”, “petistas enrustidos” e “melancias” (os direitistas espalham isso) ou atribuindo a estes o papel de “linha auxiliar dos tucanos”, “fundamentalistas religiosos” e abrigo da “centro-direita” (os ultraesquerdistas preferem usar tais chavões).

  • O fato é que Marina Silva, a REDE e milhões de brasileiros estão fora dessa polarização e isso é de difícil digestão para quem ainda está com a cabeça no século passado, para quem não compreende a dialética do processo político-histórico brasileiro ou para quem age por mero desejo de intriga. A eles, a história dirá e o povo é que fará o julgamento através das urnas.

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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Uma resposta para “O ataque da direita bossa-nova”

Hadamés Wilson said On 30 março 2016 Responder

Disse tudo! Essa direita bossa nova! Atacam tudo a torto e a direito!

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