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Garotinho tropeça no Pezão e Romário tem o apoio de 44%

O cenário eleitoral do Rio de Janeiro tem seu espanto. Aqui foi onde as jornadas de protestos de junho de 2013 mais prosperaram, com enorme quantidade de passeatas, greves e enfrentamentos com os aparatos de repressão do governador Sergio Cabral (PMDB). A rejeição de Cabral alcançou níveis estratosféricos, mas ainda assim, o seu candidato está numericamente na frente com 29% das intenções. Pela primeira vez, o ex-governador Anthony Garotinho (atualmente no PR, ele é ex-PSB, ex-PMDB, ex-PDT, ex-PT) perde a liderança nos números e fica com 26%. Tecnicamente, os dois estão empatados.

Protesto é protesto, eleição é outro papo. A campanha do Pezão (PMDB) está tendo êxito em colar nele a imagem de boa praça, homem simples, interiorano e pessoa do bem, escondendo seu mentor político Sergio Cabral. Mas não é só isso. Diante da força de Garotinho, muitos eleitores estão migrando para Pezão com o objetivo de impedir a vitória de um dos líderes da chamada “bancada evangélica”. Em outras palavras, não são as qualidades do Pezão que está gerando este crescimento do PMDB, mas o medo de Garotinho retornar ao poder no estado do Rio de Janeiro está antecipando o segundo turno e esvaziando Crivella (PRB) e Lindberg (PT-PV-PSB-REDE-PCdoB).

Analisando as cinco pesquisas do instituto, percebe-se um esgotamento de Garotinho (21%, 28%, 27%, 26% e agora 26% novamente), mas o que chama atenção é o crescimento vertiginoso de Pezão (PMDB) de 6% (19% para 25%) na penúltima pesquisa e agora de 4% (25% para 29%). Em duas pesquisas Pezão cresceu 10%.

Ex-ministro da Pesca do governo petista e bispo da Igreja Universal, Marcelo Crivella (PRB) está atolado nos 17% de intenções e não sai disso faz três pesquisas. Faltando pouco mais de uma semana para acabar a propaganda eleitoral, é impensável que Crivella possa virar esse jogo e chegar ao segundo turno.

Lindberg Farias montou uma frente progressista que reuniu o PT, PSB, Partido Verde, PCdoB e o apoio da Rede Sustentabilidade — sem a presença de Marina. Com tudo isso, não conseguiu aglutinar o sentimento mudancista do eleitorado e nem o clima dos protestos que vieram das jornadas de 2013. O PT demorou demais a se desgarrar do governo Sérgio Cabral (PMDB), inimigo número um no eleitorado. Além disso, sua gestão em Nova Iguaçu sofre críticas difusas. Sem conseguir encarnar o novo, o ex-líder do movimento “Fora Collor” vê seu eleitorado diminuir. Começou com 11% das intenções e agora tem 8%, uma queda de 3%. Sua presença no segundo turno é inviável. A distância entre o petista e Garotinho é de 18%. Na revista Carta Capital se fala em tragédia.

O candidato do PSOL — partido que reúne a antiga esquerda petista do Rio — está agora com 2% e, como já disse antes, poderá fechar este primeiro turno com 3%. Esse número seria uma vitória para o desconhecido prof. Tarcísio Motta que, se contasse com o apoio do PSTU e PCB, poderia até pensar em números maiores, mas nada que ultrapasse o gueto eleitoral da extrema esquerda. Esse gueto conseguiu ser ampliado por Marcelo Freixo que parece acumular forças como deputado estadual para a Prefeitura do Rio em 2016.

Se o segundo turno fosse hoje, Pezão ganharia com 43% contra 33% de Garotinho. Se Crivella fosse o adversário, o PMDB ganharia com 41% contra os mesmos 33%. Como já sabíamos, a tendência no segundo turno é todos contra Garotinho que estaria envolvido numa rede de escândalos. Neste caso, mais uma vez, o voto em Pezão é um voto de exclusão do ex-governador que é rejeitado por 39% dos eleitores.

Para o Senado, Romário se mantem firme na liderança com 44% das intenções contra 21% de César Maia (DEM) que parece estar acumulando forças para a Prefeitura em 2016. O Eduardo Serra (PCB) é uma positiva surpresa (2%) e Carlos Luppi está amargando péssimos números (2%), mesmo com apoio de Dilma e com o PDT nas mãos e no bolso. Ex-ministro do Trabalho, Luppi foi demitido pela própria Dilma depois que a Comissão de Ética da Presidência apontou irregularidades na sua gestão.

O quadro até agora é muito favorável para a eleição de Romário (PSB), o senador de Marina Silva. Sem nenhuma intervenção oculta no processo eleitoral, dentro da normalidade, Romário será eleito senador em 05 de outubro e será uma peça fundamental no segundo turno do Rio de Janeiro e na política estadual. Alguns analistas apontam que Romário seria um quadro importante para uma faxina no Ministério dos Esportes se Marina for eleita presidenta. Será? O tempo dirá.

Romário, ministro dos esportes?

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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