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Eu estou com Jean

Na campanha de 2014 eu indiquei dois nomes para deputado federal. O combativo Wadih Damous, homem de esquerda, honesto e grande companheiro de lutas justas aqui no Rio de Janeiro. Outro nome foi o do meu querido Jean Wyllys, combativo defensor dos direitos humanos, assumidamente gay e socialista. O primeiro é [lamentavelmente, ainda] do PT (roxooo!) e o segundo é do PSOL. Nenhum dos dois pertencem ao meu partido, Rede Sustentabilidade. Minha indicação foi por conta da importância desses dois no Congresso Nacional, confio neles. Mesmo nas divergências – e não são poucas! – ambos são necessários para o avanço da “democracia” que temos.

 

Pois bem, recentemente começou uma nova campanha de difamação contra Jean Wyllys. Só mais uma, pois elas sempre surgem aqui e acolá. E constato, com tristeza, que continuarão. Só que dessa vez é “fogo amigo”. Surge de dentro da esquerda, por conta de uma visita do deputado à Israel e algumas postagens suas expondo algumas reflexões políticas, religiosas e pessoais.

israel e palestina 3

O alinhamento automático de parcela da esquerda com tudo que é anti-Israel logo o associou à direita israelense e suposto colaborador [indireto] do regime de Tel-Aviv. Outros tentam ainda intriga-lo com a justa luta do povo palestino contra o Estado de Israel governado pelos reacionários.  Nem um, nem outro para primar pelos fatos.

 

Jean Wyllys comete equívocos como qualquer ser humano (pode não parecer, mas ele não é deus!), mas nessa questão eu só vejo o exagero dos críticos.

 

Seria confortável para mim ficar calado e me omitir. “Que se danem! Eles que se atraquem”. Sei bem que não sou figura pública, não tenho fama e nem facebook com 50 mil pessoas. Minha opinião é importante para meia dúzia de gatos (e gatas!) pingados, se muito. Ainda assim, minha consciência me incomodou todos esses dias. Cheguei a comentar nas postagens de Milton Temer e fiz um comentário numa das postagens do Jean, mas me senti acovardado. Como ficar calado se Jean Wyllys é pessoa que admiro, que tenho carinho, que torço, que tenho como amigo (ainda que ele possa ter outra interpretação de mim) e ainda voto nele? Tá, ele andou vacilando com minha querida Marina Silva, mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.israel e palestina

 

Jean Wyllys apoiou meu querido amigo [e atualmente vereador] dos tempos de UERJ, o sociólogo Jefferson Moura, em 2012. Minha amizade cresceu aí, pois já o admirava como militante da causa LGBT, da causa da liberdade humana.

israel e palestina 2

Então lá vai. Deixo claro que apoio Jean Wyllys. Estou com ele. Os ataques supostamente progressistas contra o deputado é, na verdade, uma reação de quem ignora a complexidade da questão palestina, em alguns casos, por certo fanatismo ideológico, passional (compreensível, até certo ponto). Mas há também os que fazem de má-fé, por ódio ao Jean ou por querer derrotá-lo politicamente. É possível que também tenha elementos de antissemitismo em alguns desses ataques. O ódio aos judeus tem longa história, infelizmente. Não são poucos os críticos de Jean Wyllys que, se preciso for, unem-se ao time de Bolsonaro para ampliar a tentativa suja de desconstruir um parlamentar fundamental para as causas justas desse país.

Por fim, deixo aqui o convite de Jean:

“(…) eu convido a esquerda brasileira que se solidariza com o povo palestino a abandonar a equivocada ideia do boicote a Israel – que prejudica um povo inteiro, detona as pontes e fortalece a direita e a extrema direita desse país – e começar a dialogar com a esquerda israelense. E quem puder visitar tanto Israel quanto a Palestina, como eu fiz, que o faça! A esquerda israelense luta pelas mesmas causas que nós e também é contra a ocupação dos territórios palestinos e defende a solução de dois estados. E há muitos ativistas palestinos e israelenses que trabalham juntos pela paz! Falar com eles ajuda a entender melhor e de fato um conflito sobre o qual muita gente no Brasil (e no Facebook) parece ter conclusões definitivas, mas pouca informação”. #EuEstoucomJean

 

P.S. Dr. James Green, da Universidade Hebraica de Jerusalém, questiona Paulo Sergio Pinheiro que atacou a visita de Jean Wyllys. Perceba como tem caroço nesse angu…

Clique aqui e veja o vídeo

 

 

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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