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Eduardo Cunha não cai. Quem o segura lá?

O deputado-presidente da House of Cunha (Eduardo Cunha/PMDB-RJ) não cai e diz que não sai, “nem que a vaca tussa”. Como pode ser tão “convencido”, com tantos dados comprometedores sendo revelados pelo MP/mídia? Além do dinheiro no banco Julius Baer, há também grana no banco BSI, ambos na Suíça. Sua esposa (ex-apresentadora do jornal da TV Globo no Rio) é acusada de movimentar as contas para bancar seu luxo pessoal e, ainda assim, nada acontece ao casal. Claro. Esse “nada acontece” tem um prazo, mas, por enquanto, segue Cunha como presidente.

 

A questão é política. O evangélico pentecostal Eduardo Cunha tem apoio da bancada da Bíblia (os “evangélicos” e católicos de direita), da bancada da bala (policiais, militares e deputados financiados com o dinheiro da indústria de armas) e da bancada do boi (a turma do agronegócio, os ruralistas e seus representantes). Esse “campo BBB” dá sustentação ao Cunha, além dele, encontramos deputados do próprio PT (alguns temem as reações intempestivas de Cunha) e alguns líderes de oposição (PSDB-DEM-PMDB-SDD-PPS) sonham com uma “vingança” do deputado gospel contra o PT votando o pedido de impeachment em quatro ou cinco semanas.

Nos bastidores, um pequeno grupo de deputados da oposição e da base governista se movimenta para que Cunha responda no Conselho de Ética e, com isso, saia da presidência da Câmara. É uma minoria, ainda.

Veja como os interesses majoritários de governistas e da oposição acabam, por razões distintas, se encontrando. O PT não quer irritar Cunha (ele pode acelerar votações “bombásticas”), enquanto a oposição sonha com o impeachment rápido. As coisas seguem com lentidão. Por muito menos, Dilma já teria sido impedida. Imaginem! Contas na Suíça em nome dela e de parentes?!

Esse fato mostra que a moralidade da oposição ao PT é duvidosa e seletiva. Duríssima contra Dilma e o lulopetismo (o que é correto!), mas tende a ficar de bico calado quando envolve o PSDB/DEM ou algum ativista do seu “batalhão de choque antigovernista”. Neste caso, o discurso da ética na política e da moralidade no trato da coisa pública é apenas um instrumento ideológico na batalha do marketing político e na conquista/consolidação de novos e maiores “mercados eleitorais”. Não se incorporou, ainda, a ética e o republicanismo como paradigmas de uma nova política.

É por isso que precisamos de vozes críticas e emancipatórias no atual momento político. Atores que não tenham o “rabo preso” com a bipolaridade partidária (PT versus PSDB) e sejam capazes de fazer leituras e articulações patrióticas/republicanas, sem alinhamentos automáticos, sem oportunismos, sem seletividade, sem “apoios críticos”. Não importa se o “bandido” é de esquerda, de centro ou de direita; do Governo ou da oposição.

Precisamos fazer aquilo que vovó dizia: “Pau que dá em Chico, dá em Francisco”. É disso que o Brasil precisa. Justiça. Para refundar a República: mais democracia, mais transparência das contas, mais controle da sociedade civil e órgãos de fiscalização (“accountability”) e quebra do monopólio econômico/corporativo infiltrado nas instituições democráticas.

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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