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Do eurocomunismo à Rede: Utopia, escolhas eleitorais e pequena trajetória de uma militância suburbana

 

Introdução:

 

Por que escrever sobre uma parte das minhas memórias políticas e eleitorais? Não sou “famoso” e minha participação política nunca foi decisiva para coisa alguma. Sendo eu uma pulga, porque me aventurar a fazer alguns desabafos, a revelar votos que hoje, em alguns casos, eu preferia esquecer?

Este é mais um exercício terapêutico. Acredito que ao escrever sobre o que eu fiz e quem eu votei, estou também tecendo o fio de uma parte da minha existência. O texto é, portanto, mais para minha leitura do que para você leitor. Não estou desprezando sua leitura, mas aviso que as linhas abaixo tem relação de diálogo comigo mesmo, com meus porões mentais, com aquilo que me envolvi na política. Nem tudo está aqui. Há muitos outros atores e acontecimentos. Coloquei o que julguei essencial, a trajetória matriz. Fiz isso antes que outros continuem a dizer aquilo que não fiz. Irrita-me perceber que alguns poucos amigos distorcem minha história ou pensam que eu sou o que não sou.

Escrever então essa pequena memória é afirmar uma identidade política-ideológica, uma linha de concatenações, uma cadeia de escolhas-decepções-escolhas que ajuda a entender o que sou hoje e o que penso. Faço isso sem pretensões literárias, sem nenhum desejo de ser reconhecido por ninguém, sem interesses eleitorais. É apenas um conjunto de anotações de uma memória política de um cidadão comum que se encantou com os processos de mudança na década de 1980. E ponto.

Tem certeza que isso é interessante para você? Bem, se chegou até aqui, talvez tenha alguma serventia. Acompanhe-me então.

 

1) A década de 1980 e meu querido PCB:

MHP PCB anos 80

Nos anos 80, ainda moleque, eu me encantei com a política. Aderi ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e panfletei muito no Engenho de Dentro e no Méier para a chapa Marcelo Cerqueira/João Saldanha (PSB-PCB) para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Obteve 7% dos votos e Saturnino Braga ─ do PDT de Brizola (com o apoio do PCdoB) ─ foi eleito com 38%. Naquela época não tinha segundo turno.

No PCB, logo me identifiquei com o eurocomunismo. Alguns consideravam que os eurocomunistas eram “a direita do partido”, os “revisionistas”, mas fiquei convencido de que somente pela chamada “via democrática”, o socialismo poderia ser implantado no Brasil e no mundo ocidental. De eleição em eleição, de movimento em movimento, “acumularíamos forças”. E em alianças com diversos setores (no campo parlamentar e extraparlamentar, na sociedade civil), nós iriamos ganhando hegemonia até chegarmos ao poder. E chegando ao poder, nós comunistas o exerceríamos com pluralismo partidário e eleições periódicas. As instituições da democracia representativa seriam todas mantidas, mas elas teriam um “conteúdo popular-proletário”. Carlos Nelson Coutinho, Armênio Guedes, Leandro Konder, Francisco Weffort e muitos outros eram referências nossas. Eu ainda acumulava um Frei Betto e Leonardo Boff, por conta dos meus vínculos religiosos.

Basicamente, entendia naquela época que o marxismo era “bom instrumento de análise e essencialmente democrático”, desde que expurgássemos de sua tradição os elementos “bonapartistas”, “estalinistas” e “leninistas”. Seríamos democratas radicais e marxistas. Assim eu me via, assim nós nos pensávamos. E tínhamos a certeza de que com o tempo, o trabalho ideológico de convencimento, a tomada de posições nas trincheiras de um novo tipo de guerra – Gramsci era relido aqui com outra lente – e a ampliação/maturação democrática, “naturalmente” chegaríamos ao poder de Estado e realizaríamos a etapa socialista de transição gradual ao comunismo. Tinha eu uma fé evolucionista no socialismo democrático, tal como formulou o último Poulantzas. Tudo isso aconteceria sem nenhuma revolução violenta, sem mortes. Tudo na paz e na “guerra de posição”, dentro das normas “civilizadas” da democracia universal.

 MHP Leonel-Brizola

Minha memória mais antiga é a eleição de Leonel Brizola (PDT) no Rio de Janeiro, em 1982, com cerca de 34% dos votos, batendo Moreira Franco (PDS), candidato do regime militar, por cerca de 200 mil votos. Além de Moreira, Brizola derrotou outros três candidatos: Miro Teixeira (PMDB), Sandra Cavalcanti (PTB) e Lysâneas Maciel (PT). Superou tentativa de fraude e o chamado “caso ProConsult” que tentaria desviar votos para o candidato do PDS. A alegria era imensa na casa de vovó Maria, no Engenho de Dentro. Meu pai e minha madrasta também se sentiram realizados.

Em 1985 eu já estava maior e tinha participado, no ombro de meu pai, da campanha das “Diretas Já”. Derrotado o projeto de eleições diretas ─ lembro-me do choro em frente a TV quando a Emenda Dante de Oliveira não passou ─ os democratas apostaram tudo em Tancredo Neves (PMDB). O candidato da oposição tinha o apoio de uma dissidência do regime militar liderada por José Sarney (chamava-se “Frente Liberal”, mais tarde virou PFL e agora é DEM). Tancredo e Sarney formaram uma frente chamada “Aliança Democrática”. O candidato do regime militar era Paulo Maluf (PDS), que perdeu a eleição, recebendo apenas 27,3% dos votos. Naquela época, Bete Mendes, Airton Soares e José Eudes foram expulsos do PT só porque votaram em Tancredo e ajudaram a elegê-lo. O partido de Lula defendia voto nulo.

 

2) A esquerda do PDT:

 

Em 1986, tivemos eleições para governador do Rio de Janeiro e o PCB, em nome da sustentabilidade da Nova República pós-ditadura, apoiaria todos os candidatos do PMDB. Moreira Franco saíra do PDS e entrou para o PMDB. O PCdoB e o PCB o apoiaram, mas vários comunistas não seguiram essa orientação. Eu, e muitos outros, fizemos campanha para Darcy Ribeiro (PDT) contra o “gato angorá”, como Brizola o chamava. Moreira, infelizmente, ganhou a eleição com 49% dos votos e o grande educador e antropólogo Darcy Ribeiro ficou em segundo com 36%. Fernando Gabeira despontou como liderança inovadora. O candidato do PT e dos verdes obteve 9% e os conservadores o atacavam: “Quem fuma, bebe e cheira, vota no Gabeira”.

 MHP Darcy

Na capital fluminense, nova eleição em 1988. Saturnino (ex-PDT, já filiado ao PSB) lançou Jó Rezende como seu candidato (PSB/PCB/PV) que, por trapalhadas da política, abandonou o processo sob fortes acusações de desvio de dinheiro. A Prefeitura estava falida e os ataques a Jó eram inúmeros. A vitória ficou mesmo com o candidato do Brizola, Marcello Alencar (PDT), que obteve 32% dos votos. Saturnino, homem honesto, deixou a prefeitura falida e ficou com a imagem de “traidor do PDT”. Na época, essas coisas tinham peso. Hoje você pode trocar de partido mil vezes. Ninguém se importa.

 

A capital era um bastião contra o governo do PMDB. Jorge Bittar (PT) teve 17% dos votos e se destacou. Torci pelo Alencar. O PDT venceu de novo.

 

No ano seguinte teríamos a primeira eleição para presidente depois de 30 anos. Eu tirei o meu título de eleitor e votaria pela primeira vez. No primeiro turno votei em Brizola (PDT) que ficou em terceiro lugar, com 16,5% dos votos. Lula (PT/PSB/PCdoB) chegou em segundo, com 17% e Collor (PRN) ficou em primeiro com 30,5%. Naquela época, o secretário nacional de juventude do PDT era Anthony Garotinho que foi abertamente criticado por mim em encontro dentro da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Foi a primeira vez que usei a tribuna. Ainda assim, participei da gravação do “lá lá lá lá lá Brizola”, o jingle chiclete que a campanha usou.

 

O PSDB estreou com Mario Covas defendendo um “choque de capitalismo” e conquistando 11% dos votos, seguido por Maluf (PDS) com 9%, Guilherme Afif Domingues (PL) com 5%, Ulysses Guimarães (PMDB) com humilhante 5% e o PCB (Roberto Freire e Sergio Arouca) com 1%. Imaginem o debate entre eles na TV Bandeirantes? Foi maravilhoso! Creio que nunca mais teremos debates assim no país de lideranças medíocres, salvo raras exceções.

 MHP Lula versus Collor

No segundo turno, Collor (53%), com a ajuda da TV Globo, derrotou Lula (47%). Todos nós havíamos sonhado com Lula, o “sapo barbudo” como chamou Brizola. Que merda!

 

 

3) Collor: fim do PCB, tentativa no PCdoB e o PT da UERJ

 

Collor na presidência, em 1990 teve eleição para governador. Brizola foi esmagador! O eleitorado do Rio de Janeiro disse para Collor: “Aqui no Rio você não é ninguém”! Brizola ganhou a eleição com 61% dos votos depois do fracasso do governo Moreira (PMDB). Eu votei em Jorge Bittar (PT) que teve 18%. Começava meu afastamento dos comunistas do PDT (prestistas, RPC, CGB, Resistência Popular…).

Com Collor em Brasília e Brizola no Palácio Laranjeiras, tivemos eleição para a Prefeitura em 1992. O prefeito Marcelo Allencar já tinha rompido com o PDT e entrara no PSDB de Mario Covas, FHC e Franco Montoro.  Lançou o jovem Sérgio Cabral Filho como seu candidato, mas o filho do grande Sergio Cabral só obteve 1,85% dos votos. Benedita (PT/PSB/PPS/PCB) foi a minha candidata e chegou a 33% no primeiro turno. Sim, agora tínhamos eleições em dois turnos. Em segundo lugar, com 22%, ficou o ex-brizolista César Maia (PMDB).

 MHP Benedita

Nesta época eu havia me aproximado do PCdoB, depois que o PCB abandonou o marxismo, o símbolo do martelo com a foice e se transformara em Partido Popular Socialista (PPS). Lembro-me de uma reunião na casa dos Feghalis no Grajaú. Estava lá Jandira Feghali, Edson Santos, Juliano Siqueira, José Carlos, Peninha, Lindbergh, Alexandre Almeida, Edmilson Valentim, Wagner Vícter e o divertido Francisco Milani que também queria permanecer comunista e não virar PPS.

No segundo turno, Maia virou o jogo e ganhou de Benedita, apertado. O resultado foi 52% para César Maia e 48% para Benedita. A senadora negra foi um dos nomes mais fortes da esquerda no Rio de Janeiro e, por muito pouco, não ganhou esta eleição. O eleitorado de esquerda na capital somou 45% em 1985, 49% em 1988 e agora se mantinha em 48%. Outros tempos.

Itamar já era o presidente do país quando Brizola, governador do Rio, lançou Anthony Garotinho como candidato do seu PDT, em 1994. O jovem ex-prefeito de Campos recolheu 30% de votos. O ex-prefeito Marcello Alencar (PSDB) teve 37% dos votos no primeiro turno. Newton Cruz, a cara da linha dura do regime militar, chegou a 14% dos votos e o PT repetiu Jorge Bittar que obteve 11%, um pouco menos do que a eleição anterior.

MHP Jorge Bittar

Votei em Bittar novamente e já tinha me filiado ao PT em 1993, logo depois de entrar para a UERJ, deixando a perspectiva oferecida pelo PCdoB. O “partido do João Amazonas” ainda tinha fortes tendências estalinistas e ligações com a China, depois de desmontado o “farol albanês”. Para minha cabeça eurocomunista, o PCdoB não descia.

No segundo turno dessa eleição de 1994 eu votei no brizolista Garotinho (PDT) para derrotar o PSDB de FHC e Marcello Alencar. Não deu. Alencar ganhou com 56% e Garotinho ficou com 44%. O eleitorado de esquerda estava entre 41%-44%, uma pequena queda pós-PSDB comparado com as eleições anteriores.

Depois da unificação de algumas eleições em 1994, votei em Lula pela segunda vez. A aliança PT-PPS-PSB-PCB-PSTU-PCdoB-PV-PMN ficou com 27% dos votos e FHC (PSDB/PFL/PTB) ganhou no primeiro turno com 54%, substituindo o presidente Itamar Franco. Brizola foi candidato e amargou 3% dos votos, tendo Darcy Ribeiro como vice. Era o começo do fim. O PMDB tentou mais uma vez a presidência, dessa vez com Quércia e obteve somente 4%. Era a segunda vergonha depois do Ulysses em 1989. O folclórico Enéas surpreendeu com 7%.

 

4) Nos tempos de FHC: A era PSDB

 

A vitória de FHC e do Plano Real foi um duro golpe na esquerda que apostava que a estabilidade econômica era impossível, um blefe da direita – tal como foi o fracassado Plano Cruzado do ministro Dilson Funaro que garantiu vitória acachapante para o PMDB em 1986 e depois virou água. O Brasil mudou com Fernando Henrique. O capitalismo se modernizou, se flexibilizou e mundializou-se de uma maneira que a esquerda brasileira não imaginara.

O prefeito César Maia (que saiu do PMDB e pulou para o PFL) lançou, em 1996, o seu “poste”, o arquiteto Luiz Paulo Conde (PFL/PPB/PTB). Conde chegou ao fim do primeiro turno com 40% dos votos. Em segundo, ficou o candidato do presidente FHC e do governador Marcello Alencar, o jovem Sergio Cabral Filho (PSDB/PMDB), mas agora ele ampliara para 25%.  Eu fiz campanha e votei no “riponga” e professor de História Chico Alencar (PT) que ameaçou o segundo lugar do PSDB, ficando com 22%.

A esquerda já perdia fatias do seu eleitorado para o PSDB e para a tecnocracia gerencial do grupo César Maia. Do patamar de 41%-48% ela caiu para 22% na capital. Conde (PFL) venceu no segundo turno com 62%, derrotando a aliança PSDB-PMDB de Sergio Cabral Filho com 38%. Eu votei em Sergio Cabral e não fui o único petista a fazer isso naquela época. Não queria a continuidade do governo do grupo Maia (PFL).

Novas eleições gerais em 1998. No Rio de Janeiro, o já abatido governador Marcello Alencar (PSDB) lança Luiz Paulo para substituí-lo no Palácio Laranjeiras. Ele teve apenas 15,5% dos votos. O PDT se une ao PT e lança Anthony Garotinho para o governo. Ele chega à frente de César Maia no primeiro turno (47% X 34%) e ganha do ex-prefeito no segundo turno com 58%. Maia (PFL) teve 42%. Era o começo da oligarquia dos “Garotinhos” no Rio, ainda que aquele Garotinho de 1998 sustentasse um discurso de esquerda que pouco tem com o atual Garotinho do direitista PR.

 Eleição Presidencial no Brasil, 1989:

Pela terceira vez, fiz campanha e votei em Lula, agora com Brizola de vice. A unidade tão sonhada pela esquerda brasileira aconteceu em 1998! A chapa do PT-PDT-PSB-PCB-PCdoB-PCO conseguiu 32%, mas FHC com Marco Maciel (PSDB-PFL-PPB-PTB) ganhou pela segunda vez e já no primeiro turno com 53%. Era a vitória da reeleição. Ciro Gomes e Roberto Freire, do PPS, conquistaram 11%. Um ótimo resultado pelo tamanho do partido e baixa infraestrutura.

Estava terminando o curso de Ciências Sociais na UERJ e o meu “eurocomunismo evolucionista” dos anos 80-90 começava a fazer água com o estudo da ciência política. A “matriz comunista”, a Ideia, de alguma forma permanecia em minha alma: justiça, equidade, liberdade e respeito aos direitos sociais, civis e políticos, com especial atenção para os trabalhadores e os socialmente mais vulneráveis.

A utopia comunista permanecera em mim muito mais como um conjunto de valores do que uma doutrina ortodoxa marxiana. Nesta época, para ser franco, o sociólogo alemão Max Weber e alguns autores liberais já me seduziam mais do que os velhos manuais do marxismo clássico. Minha reaproximação com o antigo PCB, agora como PPS, era o símbolo de um novo momento de minha vida política, das minhas reflexões socioeconômicas, já distantes do velho esquerdismo do PT (1993-2000) e do comunismo ortodoxo.

 

5) A chegada do lulopetismo no poder e o PPS como referência

 

Desfiliei-me do PT em 2000, portanto, bem antes dele virar isso que virou. Neste ano, na eleição municipal, acompanhei o Partido Popular Socialista (PPS, antigo PCB) e votei em César Maia (PTB-PPS) para prefeito. Ele que tinha o apoio de Ciro Gomes! (Como o mundo dá voltas…)

Maia obteve 23% no primeiro turno enfrentando sua “criatura”, o prefeito Luiz Paulo Conde (DEM-PMDB), que obteve 35%. Nesta eleição, Benedita (PT-PCdoB) teve 23% e Brizola (PDT) foi mais uma vez castigado pelo eleitorado com apenas 9%. A esquerda clássica recolheu 32% dos votos. No segundo turno, parcela significativa dessa esquerda votou em César Maia (PTB-PPS), que derrotou com dificuldades Conde (DEM-PMDB) com 51,1%.

Em 2002, nova eleição para presidente e governador. No primeiro turno eu votei em Ciro Gomes/Paulinho da Força (PPS-PDT-PTB) que teve 12%. Garotinho, pelo PSB, obteve surpreendentes 18%!

 MHP Ciro Gomes

O segundo turno seria decidido entre o candidato de FHC, José Serra (PSDB-PMDB-PFL) e Lula/Zé Alencar (PT-PL-PCB-PCdoB-PMN). Não fiz campanha, mas votei em Lula. Foi minha última esperança no PT, um rescaldo que ainda sobrou de minha juventude. Lula teve 61% e derrotou José Serra que obteve 39%. Eu ainda temia que Serra fosse bem melhor como presidente. O povo decidiu. Era o começo da “Era petista” que estamos mergulhados ainda hoje. Nunca mais eu votaria no PT para presidência da República.

No Rio, nesse mesmo ano, votei em Jorge Roberto Silveira (PDT-PPS-PTB) no primeiro turno. O “tumultuado” candidato obteve 14%. Ganhou Rosinha Garotinho (PSB-PPB) no primeiro turno com 51% dos votos. A família Garotinho estava no ápice de seu poder político-eleitoral e teria uma relação conflituosa com o presidente Lula no seu primeiro mandato. Malandro, Lula secou o dinheiro do Rio de Janeiro, evitando o crescimento avassalador de Garotinho que já era um nome forte para as eleições presidenciais de 2006 e já dentro de um grande partido, o PMDB (Garotinho foi “expulso” de forma sofisticada do PSB por Miguel Arraes, aliando o partido ao projeto de Lula). O jogo foi sujo e pesado! O PT ali “comprou” o PSB e o PMDB, sabotando a única chance real que o próprio PMDB teria de chegar à presidência da República depois do fracasso de Ulysses e Quércia. Sarney, Renan, Temer e companhia manobraram para barrar as aspirações de Garotinho. O PT ganhou. Ganhou mesmo?

Na capital, em 2004, César Maia abandona a aliança PTB-PPS e o programa de centro-esquerda que o elegeu em 2000 e se lança novamente como candidato a prefeito retornando ao PFL/DEM. Eu já sabia que votaria contra, mas seu governo teve sucesso com o povo. Era o “síndico”, o gestor, o tecnocrata das finanças e “tocador” de obras, um novo Carlos Lacerda. Ganhou no primeiro turno com 50,1% e com nova composição: PFL-PSDB-PV.   Eu votei, a contragosto, em Jorge Bittar (PT-PSB) que só teve 6%. Não queria PT, mas também não desejava o grupo do Maia, nem o clã Garotinho.

Nesta eleição, Crivella (PL) ficou em segundo (22%), Conde (PMDB-PP) apoiado pelos Garotinhos ficou em terceiro (11%) e Jandira (PCdoB-PCB) em quarto (7%). No total, foram 12 anos de César Maia, mais 4 anos de Conde quando era aliado dele. De certa forma, até hoje, a cidade do Rio está nas mãos dos “filhos” da administração César Maia que, por sua vez, nasceu do brizolismo dos anos 80.

 MHP PSDB

Dois anos depois, em 2006, nas eleições gerais, Lula foi reeleito presidente da República em segundo turno, com 61% dos votos, derrotando meu candidato Geraldo Alckmin (PSDB/PFL/PPS), o “picolé de chuchu”, que obteve 39% e o estranho apoio da família Garotinho no Rio de Janeiro.

Acompanhando o PPS, votei no PSDB. Era importante derrotar o projeto hegemonista do PT que já ameaçava criar uma base de apoio sólida com recursos públicos. Criado na mentalidade do velho PCB, eu sempre fui antipático ao PT e a CUT. Brizola e o PDT também desconfiavam de Lula e das intenções do PT. Na minha família, o PT sempre foi visto como “a esquerda que a direita adora”. Não poucos o consideravam “quinta coluna” do regime militar, o partido do Golbery, criador de divisão dentro da esquerda, anticomunista etc. Tinha muito de paranoia também, confesso. Mas minha militância no partido nos tempos de UERJ parece-me hoje um ponto fora da curva, estranho momento de embriagues.

Talvez o constrangimentos de “rebanho” explique esse meu petismo temporário, pois “todo mundo” era do PT naquela época, eu também, junto com Ricardo Vieralves, Nilcea Freire, Alexssander Barbosa, Paulo Simpson, Átila Drelich, Marco San, Samantha e André Fayão, Caio Marcio Rezende de Lima, Alexandre da Engenharia, Príscila, Jorgito, Ronald Garcia, Patrícia Simas etc. formávamos o chamado Núcleo de Debates do PT-UERJ. Mais tarde, eu, Fayão, Caio e Marco San fundaríamos o Programa de Estudos Políticos (PEP-UERJ) com a coordenação do prof. Geraldo Tadeu Moreira, pedetista e assessor do reitor Antonio Celso, eleito pela chapa PSDB-PT. Hoje, quem diria que uma aliança assim fosse possível?

 MHP Cirstovam Buarque

Nesta eleição de 2006, no primeiro turno, a chapa Heloísa Helena/César Benjamin (que trabalhava para a família Garotinho e eu mesmo testemunhei seu trabalho na Fundação do PMDB onde eu coordenava o curso de formação política) chegou a 7% dos votos. Ótimo resultado! Foi a única vez que a chapa do PSOL (com apoio de PCB-PSTU) chegou longe. No primeiro turno, eu votei em Cristovam Buarque (PDT), “o candidato da educação”, que teve apenas 2,6%.

Aqui no Rio, votei em Denise Frossard (PPS) para governadora (24%) contra Sérgio Cabral (PMDB) que ficou em primeiro com 41%. Isso depois do jornal “Extra” divulgar uma notinha insinuando, de forma bem humorada, uma suposta relação homoerótica entre eu e Cabral por conta de uma declaração desconjuntada que ele fez sobre nossa amizade no passado (lembro que Cabralzinho foi comunista!). Os outros candidatos ficaram assim: Marcelo Crivella (PRB) com 18,5%, Vladimir Palmeira (PT) com 7,6%, Eduardo Paes (PSDB) com apenas 5,3%, Carlos Lupi (PDT) com míseros 1,5% e o grupo que foi expulso do PT e formou o PSOL apresentou o nome de Milton Temer, que teve 1,4%. No segundo turno, Cabral derrotou o PPS com 68%. Lamentei muito! Torci demais pela juíza Denise, pois com ela, o Rio de Janeiro não estaria nas mãos da máfia do PMDB que o comanda até hoje.MHP Denise Frossard

Em 2008, nova eleição para prefeito. Lula estava no seu segundo mandato e Cabral (PMDB) governava o Rio de Janeiro em feliz aliança com o presidente, ao contrário de Garotinho (ex-PDT, ex-PSB, ex-PMDB, agora no PR).

A eleição ficou polarizada desde o primeiro turno entre Eduardo Paes (PMDB-PP-PTB) e Fernando Gabeira (PV-PSDB-PPS). Fui entusiasta da belíssima campanha de Gabeira, ao contrário dos meus preconceitos nos anos 80 com o doidão de tanga lilás.

Suas ideias empolgaram milhares de cariocas e ele alcançou mais de 800 mil votos no primeiro turno (25,6%). Paes obteve 32% e se sentiu ameaçado. Crivella (PRB-PR) fez 19%, Jandira (PCdoB-PSB) fez 10%, Molon (PT) angariou 5%, Chico Alencar (PSOL) e Paulo Ramos (PDT) ambos com 1,8% e a candidata do prefeito César Maia, Solange Amaral (DEM), sofreu para conseguir 4% de votos. Era o fim do “cesarismo direto” no Rio de Janeiro, ainda que Paes (PMDB) fosse uma cria desse modelo.

 MHP Gabeira

Foi no sufoco que Eduardo Paes (PMDB) abateu Fernando Gabeira (PV) no segundo turno com uma campanha suja e que contou com a ajuda do governador Cabral que decretou ponto facultativo e criou um feriadão antes do domingo da eleição. Ainda assim, Paes venceu com 50,8% dos votos e Gabeira ficou com 49,1%. Pela segunda vez, depois do fenômeno Benedita, em 1992, por pouco um candidato mais vinculado com a “esquerda” (eu considero ambos, Benedita e Gabeira, de centro-esquerda) não ganha a Prefeitura.

Na eleição seguinte, em 2010, o PMDB se transformara numa potência avassaladora. Sergio Cabral é reeleito em primeiro turno com 66% dos votos, embalado por obras, UPP e muito marketing. Gabeira (PV) recebeu meu apoio e meu voto, disputou com a máquina do PMDB, mas obteve 20,6% em todo o estado. Não teve “pernas” para fazer uma megacampanha e Cabral estava na “crista da onda” com as UPPs.

A família Garotinho tentou com Fernando Peregrino (PR) que amargou um terceiro lugar com 11%. O PSOL lançou o jovem sociólogo Jefferson Moura, companheiro meu dos tempos de UERJ, que obteve 1,6%. Ironias do destino, Jefferson, na década de 90, derrotou nosso grupo petista no Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACIS) com um discurso de ultraesquerda. Hoje, tenho a honra de trabalhar com ele depois do convite que me fez quando eu começava o mestrado em 2012. Voltas que o mundo dá.

No Brasil de 2010, o presidente Lula elegeu sua sucessora, a “gerentona do PAC” Dilma Roussef depois de dois mandatos dele na presidência. Mas não foi fácil. Depois do mensalão e de diversos problemas na economia, Dilma/Temer (PT-PMDB-PDT-PSB-PCdoB-PR-PSC-PTN-PTC-PRB) obteve 47% no primeiro turno. Eu votei em José Serra (PSDB-DEM-PPS-PTB), que conseguiu 32,6% enfrentando a máquina lulopetista. A surpresa foi Marina Silva do PV (ex-petista e ex-ministra de Lula I) com 20%. A diversão ficou por conta de Plínio de Arruda Sampaio, o simpático vovô radical do PSOL. Não alcançou 1%, mas foi o show nos debates de TV.

No segundo turno, Dilma ganharia com 56%. Votei novamente em Serra (PSDB) que obteve 44%. O PT iria para mais quatro anos.

 

 

 6) Movimento Nova Política, Jefferson Moura e a Rede:

 

Na capital, dois anos depois, em 2012, teve eleição para prefeito. O PMDB lança novamente Eduardo Paes que leva tudo já no primeiro turno com 65%. O candidato da resistência foi Marcelo Freixo (PSOL) e eu votei nele. Freixo reuniu votos de centro, de centro-esquerda e de esquerda que estavam insatisfeiMHP Jeffersontos com os sucessivos governos do PMDB. Sua soma foi de 914 mil votos (28%). Nesta eleição, a família Garotinho fez uma péssima aposta colocando Clarissa (PR) como vice de Rodrigo Maia (DEM). Ambos afundaram com 3% dos votos. O PSDB, sem opção, decidiu lançar o sorridente deputado Otávio Leite que teve 2%, um pouco melhor que Aspásia (PV, hoje está no PSB), minha ex-professora de Ciência Política (Maquiavel) na UERJ, que obteve pouco mais de 1%.

Na última eleição geral, em 2014, senti-me sufocado. Não encontrei um candidato que me entusiasmasse como Gabeira (PV), Denise Frossard (PPS) ou o velho Brizola (PDT) de 1989. Não queria votar na máfia do PMDB (agora com Luiz Pezão), nem no bispo da Igreja Universal, Marcelo Crivella (PRB).  Garotinho (PR) jamais. Lindbergh Farias (PT-PV-PSB) era o “menos pior”, ainda que estivesse nacionalmente vinculado aos governos petistas com os quais eu não tinha acordo algum. O PSOL lançou o simpático e divertido prof. Tarcísio ─ aquele que tinha rabo de cavalo, mas não tinha o rabo preso. Eu não votaria no PSOL, pois não tenho identidade ideológica com esse partido, ainda que respeite sua militância e seus ideias, e mesmo tendo votado em Freixo como um voto de protesto/resistência contra o hegemonismo do PMDB.

 MHP Jefferson na REDE

Foi nesse momento, em que Freixo representou a resistência, que eu já estava envolvido, com o Movimento Nova Política (MNP) e a proposta de se criar um “braço-institucional”. Nasceria a proposta de fundação da Rede Sustentabilidade. Eu já estava na campanha de Jefferson Moura para vereador. Uma campanha que uniu brizolistas, militantes da sustentabilidade, “marineiros”, gente do PSOL e até petistas. Jefferson tinha um discurso e um programa bem mais amplo que Freixo e uma imensa capacidade de construção de alianças que me lembrava o estilo agregador do PCB dos anos 80. Foi eleito, contra muitas lideranças do PSOL que buscou isolá-lo e sabotá-lo.  Hoje é vereador da Rede aqui no Rio de Janeiro, um mandato brilhante.

 MHP Marina Silva

2014 foi o ano em que Eduardo Campos, candidato a presidência, morreu em acidente de avião que colocou Marina, sua vice, como cabeça de chapa. A Rede Sustentabilidade não foi legalizada a tempo de lançar Marina, mas o destino nos apresenta seus caprichos. De vice, a acreana virou cabeça de chapa por conta de uma tragédia inesperada. Votei em Marina Silva (PSB-REDE-PPS-PPL) para presidente e em Lindbergh (PT) para governador. Marina obteve 21,3% e ficou de fora do segundo turno das eleições presidenciais e o petista ficou com 10% aqui no estado.

No segundo turno do Rio, votei por exclusão no Pezão (PMDB). Confesso que fechei o nariz antes, mas temia a eleição de um bispo neopentecostal para governar nosso estado. Pezão conquistou 56% e derrotou Crivella com 44%. No dia seguinte eu já era oposição ao novo governo. Conheço como eles operam. São muitos anos contra o PMDB-RJ.

Nacionalmente, Dilma/Temer (PT-PMDB) foi para o segundo turno (41,6%) com Aécio Neves (PSDB) que ficou com 33%. O jogo foi pesado! Já no primeiro turno, fizeram “o diabo” para barrarem Marina Silva. No segundo, o Brasil rachou ao meio, virou torcida organizada, o ódio se alastrou. Eu votei em Aécio (PSDB) seguindo o entendimento de Marina e de parcela da Rede. Talvez a maioria do partido preferisse o voto nulo. Para a Rede, o melhor teria sido o voto nulo em 2014? Pode ser, mas havia o trauma do voto nulo/neutralidade em 2010 que favoreceu a continuidade da dinastia lulopetista. Foi dramático esse momento! Pessoalmente eu não suportaria mais quatro anos de gestão petista, mesmo não vendo em Aécio Neves um líder do porte de Mario Covas, para citar alguém do próprio PSDB. Dilma ganhou pela segunda vez! É a escolha dos brasileiros, respeito. Ela foi reeleita com mais de 54 milhões de votos (51,6%), enquanto o candidato da oposição obteve 51 milhões de votos (48,3%). Chorei, mas fazer o quê? Democracia é isso.

 

 

7) Desejos de uma utopia concreta: tentativa de uma semi-conclusão

 

Agora estou pensando nas imensas possibilidades mudancistas que a candidatura de Marina Silva em 2018 oferece. Há uma chance de mudarmos esse país. Será que ela e a Rede estarão à altura? Vou acompanhando e torcendo. Engajado estou na Rede Sustentabilidade. Reflito sobre as dificuldades de enquadramento ideológico na velha díade direita e esquerda (ainda que eu utilize operacionalmente estes conceitos). Flerto com o pensamento pós-moderno mas, sem entusiasmo juvenil, sem as certezas do passado.

Quero conjugar uma visão de mundo onde Estado e mercado não se sobreponham. Onde haja democracia representativa com mecanismos de participação direita e deliberação. Onde a sustentabilidade planetária esteja acima das nossas diferenças e que o futuro seja uma sociedade mais feliz, com justiça, equidade, maior igualdade de renda, oportunidades para todos e espiritualidade libertária. Sim, a política precisa abrir-se para a fé e a espiritualidade, para o sentido último de nossa existência.

Como então me identificar? Sou de esquerda? Sim, sinto-me identificado com a tradição da esquerda, mas não sou marxista, ainda que sustente uma profunda admiração por Marx, Althusser, Gramsci e outros. Mas o marxismo analítico de Adam Przeworski, G. Cohen, E. O. Wright, Andrew Lavine, Jon Elster e Elliot Sober me parece muito mais sensato, razoável e empiricamente verificável.  Liberal de esquerda? Democrata de esquerda? Social-liberal? John Rawls, H. Arendt, Habermas, Raymond Aron, Giddens, Norbert Elias, Bauman. Tantas referências que considero boas! Pode ser liberal de esquerda ou, na verdade, tanto faz essas etiquetagens. O fato é que não sou um conservador, nem defendo “Estado mínimo”.

Penso que aprendi muito na tradição marxista. Os ideais do comunismo ainda hoje são legítimos. Quem não aprecia os ideias que fundaram a tradição marxista é insensível. Todo o anticomunista tem alguma coisa de desumano. Ainda que os resultados concretos das gestões públicas dos diversos partidos comunistas não tenham sido defensáveis em vários aspectos, como não reconhecer a nobreza de ideais que os forjaram?

O liberal Bruno Leoni reconhece a beleza e a ética do pensamento igualitário socialista, mas nos diz que o caminho para se chegar ao sonho não é a ditadura do proletariado, nem o gigantismo estatal. Realmente, os caminhos são outros. Leste Europeu, URSS e os diversos regimes socialistas que surgiram pós-1917 fracassaram e não se mostraram mais eficazes, mais democráticos e mais livres do que o capitalismo liberal e o Welfare State ─ com todos os problemas que estes também apresentaram/apresentam. Em outras palavras, a social-democracia e seu Welfare State esteve mais próxima do sonho igualitário de muitos comunistas do que o socialismo realmente existente (usando aqui essa expressão de José Paulo Netto).

Ditadura do proletariado? Não. Penso que não é pela “ditadura classista” no poder de Estado ─ que no socialismo real se transformou em ditadura burocrática da oligarquia do partido comunista ─ que chegaremos ao “reino da liberdade”, a uma sociedade dos iguais e de garantia do bem comum. Mais uma vez, considero que o Estado de Bem Estar Social esteve mais próximo dos sonhos de uma “riqueza socializada” com justiça e igualdade de oportunidades de vida para todos do que o socialismo estatista/coletivista do tipo marxista-leninista.

A “nova sociedade”, assim eu penso (ou deliro!) nascerá da conjugação criativa de cooperação, solidariedade, autonomismo, democracia e sustentabilidade associadas a um conjunto de políticas públicas governamentais que corrijam distorções graves do mercado e façam aquilo que os indivíduos não podem fazer (como segurança, escolas, creches, hospitais), garantindo justiça e um ponto de partida comum a todos. A economia não pode mais crescer desenfreadamente e de maneira predatória. É preciso pensar no futuro das espécies ─ incluindo os seres humanos como parte de um Todo ─ e até mesmo refletirmos sobre o decrescimento. Será que crescer, crescer e crescer a economia é a solução ótima? Desaceleração, conservação, vida simples. O menos pode ser mais.

Será esta, em minha utopia, uma “nova sociedade” pós-capitalista e pós-socialista. O nome que daremos a esta “outra sociedade” ─ que nasce dos escombros da velha e carrega algo dela ─ pouco importa, mas que seja livre e justa, solidária e fraterna, democrática e em rede.

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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2 respostas para “Do eurocomunismo à Rede: Utopia, escolhas eleitorais e pequena trajetória de uma militância suburbana”

Suely Gomes Costa said On 28 fevereiro 2016 Responder

Como v. andei por aí: caminhos e descaminhos tentando preservar a crença em utopias igualitárias. na democracia plena. Como v., hoje estou me filiando à Rede. Conheci um tico da Marina no PT do qual sai tb nos anos 90. Consegui decodificar o nível crítico de consciência política os PT: ele se move pelo desejo incontido de ter poder – um grande engodo.
Estou indo pra Rede de Niterói, onde moro e trabalho. E é aqui que vou lutar.
Desejo que tenhamos uma boa boa luta! Ela nunca pára…
Abs,
Suely

Marcio Sales Saraiva said On 11 março 2016 Responder

Suely, sinta-se bem. Luta e paz!

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