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Diante da blitzkrieg petista, Marina Silva resiste e vai para o segundo turno com Dilma

A pesquisa Ibope/’O Estado de São Paulo’ divulgada ontem (23/09) traz dados novos no cenário eleitoral, mas que não alteram o quadro mais amplo da analise. Esta quinta pesquisa Ibope será comparada aqui com alguns dados da pesquisa DataFolha mais recente (19/09) e com a série histórica do próprio Ibope.

Dilma subiu 3 p.p. no Ibope e agora está com 38%. Dilma cresceu, é fato. Na média das cinco pesquisas ela tem 36,8% (no DataFolha ela tem 37%). Entre os pesquisados, 39% avaliam o Governo Dilma como bom ou ótimo, sendo assim, a média de 36,8% é compreensível e pode até aumentar.

Na última pesquisa do DataFolha (19/09) Marina apareceu com 30% (o mesmo resultado do último dado do Ibope) e agora caiu 1 p.p. e está com 29%. Esta oscilação está dentro da margem de erro, ainda que agora seja possível falar em viés de queda para Marina. Quando olhamos para a pesquisa realizada entre 31 de agosto e 02 de setembro, o resultado foi de 33%. Depois disso ela só caiu (31% – 30% – 29%). A “guerra suja” do PT começa a mostrar seus resultados. Não somente paralisou o crescimento de Marina, mas forçou um pequeno recuo. Na média das cinco pesquisas do Ibope, Marina Silva está com 30,5%, ou seja, o mesmo número das duas últimas. Até aqui, nada mudou, desde que não menosprezemos o viés que aponta recuo de Marina Silva.

Nesta última pesquisa Ibope a diferença entre Dilma e Marina é de 9 p.p. e quando cotejamos com a pesquisa anterior deste instituto — que apontou diferença de 6 p.p. — podemos com segurança dizer que Dilma ampliou a diferença, distanciou-se de Marina, pois esta oscilação foi acima da margem de erro. Na série histórica, a média de diferença entre Dilma e Marina é de 6,3 p.p. o que será difícil reverter no primeiro turno da eleição, posto que a aliança do PT tem tempo muito superior a coligação de Marina que ainda é atacada por Aécio Neves (PSDB).

Já na pesquisa anterior do Ibope Aécio tinha retornado ao seu ponto de origem, 19%. Nesta pesquisa ela apenas mantém. Na média das cinco pesquisas, Aécio tem 17,5% e faltando 11 dias para o eleitor apertar os números é impensável uma virada de Aécio. A diferença entre ele e Marina permanece como antes, 10 p.p. (a queda de 1% é insignificante por conta da margem de erro de 2%).

Com tudo isso, o PSDB mineiro corre sério risco de perder o governo regional para o PT (Pimentel está triturando Pimenta da Veiga) e fazer papel de linha auxiliar de Dilma ao manter os ataques contra Marina Silva. É um dado interessante, pois Aécio projetou esse papel de linha auxiliar do petismo na candidata Luciana Genro (PSOL).

Acontece que em Minas, o eleitor do PSDB não tem um perfil tão antipetista como o eleitor de São Paulo, até porque Aécio sempre teve ótimas relações com o PT local, minimizando as diferenças. Quadro distinto é o do PSDB paulista que tem Marcio França (PSB) como vice e um eleitorado com fortíssimo viés antipetista. O PSDB-SP provavelmente irá ganhar a eleição regional em primeiro turno, sem ataques contra Marina.

No segundo turno, hoje Marina teria 41% e Dilma também. Esse empate numérico é novo, mas o empate técnico já existe desde a pesquisa passada, tanto no Ibope (43% versus 40%) como no DataFolha (46% versus 44%).

Para Marina Silva este resultado é bom, pois a artilharia petista com apoio do bombardeio aéreo tucano não conseguiu retirar a candidata do PSB do segundo turno e nem coloca-la como derrotada no cenário de segundo turno. Traduzindo em miúdos, Marina Silva enverga, mas para espanto do Alto Comando de Guerra petista/tucano, ela não quebra.

Faltando 9 dias para o fim da propaganda eleitoral e o quadro aponta para o seguinte cenário (não muito diferente do anterior, confira aqui o texto neste blog):

  • O segundo turno será entre Dilma (PT) e Marina Silva (PSB-REDE);
  • Dilma possivelmente chegará em primeiro lugar neste primeiro turno, pois tem mais partidos na base de apoio, mais tempo de propaganda, mais estrutura de campanha e neste momento está conseguindo segurar o crescimento de Marina com artilharia pesada.
  • Marina Silva (PSB-REDE) precisa reagir mais — sem baixarias, é claro — e utilizar mensagens diretas, com apelos ao coração dos brasileiros e que desmonte as “pegadinhas” de Dilma em poucas palavras (o tempo de TV e rádio é curto), tal como fez nestes dois vídeos abaixo, além do vídeo belo e afetivo com Gilberto Gil. Aécio deve ser deixado de lado gritando sozinho, pois o eleitor do PSDB virá no segundo turno.
  • O PSDB-MG de Aécio Neves pode sair derrotado (perder-perdendo) e abrir espaço para o protagonismo do PSDB-SP de Alckmin, FHC e Serra.
  • No segundo turno, com Dilma (PT) e Marina (PSB-REDE) tendo o mesmo tempo de propaganda e exposição, a eleição tende a recomeçar. Marina Silva leva vantagem (sua rejeição é de 17% e a da Dilma é de 31%) e tende a herdar os votos do eleitorado tucano que não deseja ver mais quatro anos de governo petista.

Abaixo, veja os três vídeos que apontei no texto como exemplos positivos de reação de Marina Silva, sem baixar o nível da campanha eleitoral.

Marina Silva desmonta os boatos de que acabaria com o programa Bolsa Família:

Marina Silva defende a Petrobras e o uso dos recursos do pré-sal, sem corrupção:

Marinar vou eu com a benção de Jesus Nazareno e o axé de Oxalá – Gilberto Gil:

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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2 respostas para “Diante da blitzkrieg petista, Marina Silva resiste e vai para o segundo turno com Dilma”

Jubi said On 24 setembro 2014 Responder

A Marina deveria deixar de ter pena de seu ex-partido. Também não adianta reverenciar o Lula, este cara é um baita dum malandro esperto e as parcelas mais esclarecidas do povo brasileiro já perceberam isto. Tem que cair de pau, claro que com classe e com conhecimento de causa. Razões é que não faltam, poderia começar mostrando aquela foto da Dilma com o Eike (“modelo de empresário brasileiro”) e colocando as manchetes dos jornais de hoje mostrando no que deu mais esta picaretagem.

pms-admin said On 26 setembro 2014 Responder

Não penso que Marina tenha “pena”. A questão é ética. Como fazer política sem utilizar as mesmas armas dos meus adversários? Essa coisa de “cair de pau” é algo muito comum no vale-tudo das disputas de poder, mas se queremos construir uma “nova política”, precisamos pensar em novos métodos, novas práticas.

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