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A TEIMOSIA VENCEU O GIGANTE

Tenho críticas ao modelo burocrático cubano, mas devo reconhecer que a teimosia em manter-se dentro dos seus princípios societários acabou, depois de mais de cinqüenta anos de Guerra Fria, vencendo o gigante estadunidense.

Gostemos ou não, foi Stálin que simbolizou a insistência na possibilidade de construção do socialismo em um único país contra o expansionismo irrealista de Trotsky. Mesmo criticando o desvio stalinista, Althusser reconheceu que Stálin “compreendeu que era preciso renunciar ao milagre iminente da ‘revolução mundial’”. Cuba, depois de financiar o foquismo guerrilheiro na América Latina, parece que entendeu também a lição da história.

Que este momento de reatamento das relações diplomáticas e comerciais entre EUA e Cuba seja também o momento para que o Partido Comunista Cubano abra-se para reformas que sinalizem para a ampliação do poder popular — isto é mais democracia! —, desburocratizando o regime e ampliando a riqueza do país (desenvolvimento das forças produtivas). O socialismo não pode ser a redistribuição igualitária da pobreza, mas a participação de todos na riqueza produzida e socializada.

Sem o bloqueio, Cuba poderá ofertar lições poderosas de que é possível construir outro modelo societário sem primazia do mercado e sob controle do proletariado. A ideia de comunismo, abandonada por amplos setores da esquerda, poderá ganhar novo impulso nas massas latino-americanas.

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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4 respostas para “A TEIMOSIA VENCEU O GIGANTE”

Miguel Jorge said On 18 dezembro 2014 Responder

Concordo com grande parte do que escreveu, só discordo de um ponto: penso que não houve vencedores. Foi uma perda imensa de três gerações.

Marcio Sales Saraiva said On 28 fevereiro 2015 Responder

Faz sentido Miguel.

João Rocha said On 23 dezembro 2014 Responder

Olá Márcio.
Sua idéia EUA/Cuba é muito simplista professor.
Isso é mais um lance na jogada da desconstrução da Russia.

Marcio Sales Saraiva said On 28 fevereiro 2015 Responder

Pode ser, é algo que devemos acompanhar no cenário internacional.

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