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A pressão das ruas, rejeição de 62% e o pacote anticorrupção

Segundo levantamento do instituto Datafolha, publicado nesta quarta-feira (18/03), 62% dos entrevistados classificam o governo Dilma como ruim ou péssimo e somente 13% consideram o governo bom ou ótimo. Só Fernando Collor teve uma avaliação tão ruim assim nos últimos tempos.

Pois bem, justamente hoje Dilma lança seu tão prometido pacote anticorrupção que, salvo melhor juízo, contém pontos importantes e necessários.

O problema é (1) se Dilma ainda pode recuperar sua credibilidade junto aos eleitores/cidadãos, pois tenho a impressão que o governo demorou muito para agir nesse sentido e as pessoas agora querem mais. Querem algo concreto e imediato. Sabemos que o tempo jurídico-político não é assim instantâneo e esse é um dos primeiros problemas de Dilma. Esse pacote poderia ter saído na crise de junho de 2013.

Além disso, (2) caberá ao Congresso Nacional a aprovação dessas diversas medidas anticorrupção e este Congresso, convenhamos, me parece mal humorado com o governo petista. Aprovar um ajuste econômico ortodoxo e, ao mesmo tempo, um pacote anticorrupção, é uma tarefa dificílima para um governo em crise e com maioria congressual instável.

Finalmente, para complicar de vez a equação da governabilidade, (3) a ausência do Eduardo Cunha e Renam Calheiros — ambos do PMDB e presidente das duas casas legislativas — na cerimônia que anunciou o tal pacote anticorrupção é sintoma de problemas futuros com o PMDB, ou não?

Penso que a crise poderá se arrastar como lenta agonia, com desfecho imprevisível. Sérgio Fausto escreveu sobre isso recentemente no site “Gramsci e o Brasil”.

A cada dia surgem novas informações da Operação Lava-Jato que comprometem atores importantes da base governista ou do partido da presidente. Os milhões de Zé Dirceu geram suspeitas. O clima é péssimo e, mais um tempero na crise, o Secretário de Comunicação Social é posto de “férias” justamente quando um documento vaza contendo críticas contundentes a incompetência comunicativa do governo. Onde tudo isso descambará?

O ponto fundamental nesse “caos político” – admitido pelo documento do secretário de comunicação do governo – é mantermos a unidade de todos os democratas, no governo ou na oposição, para garantirmos a liberdade e a democracia como o único cenário justo e legítimo para apuração rigorosa de todas as denúncias, sem “panos quentes” para políticos ou empresários (e suas empresas!), não importa o partido que pertença. A pressão popular nas ruas está acelerando decisões, o que é bom para o país. Afinal de contas, esse pacote anticorrupção sairia hoje se não fosse os dois milhões nas ruas em pleno domingo?

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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