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A esquerda, a direita e a Rede: um partido diferente para o século 21

Os diversos debates no Movimento Nova Política (MNP) e na plataforma dos Sonháticos evoluíram gradualmente para a necessidade de se criar um “braço institucional”, ou seja, um partido político que pudesse vocalizar os desejos de mudança das instituições representativas da poliarquia brasileira, apontar um novo fazer político que tivesse como foco central a sustentabilidade planetária. Em 16 de fevereiro de 2013, no Encontro Nacional da Rede Pró-Partido, nascia, oficialmente, a Rede Sustentabilidade.

 Fragmento do Encontro de fevereiro de 2013

 

O partido se originava com uma perspectiva ideológica para além da esquerda e da direita tradicional (GIDDENS, 1996). Da esquerda, origem da esmagadora maioria dos membros da Rede, herdaria a crítica ao capitalismo irracional, consumista e predatório, além da democracia como um valor-modelo que deveria ser aprofundado pela participação popular. Da direita liberal, a Rede assumiria a centralidade das liberdades individuais e a defesa do mercado, mas com regulações que pudessem favorecer a sociedade e o meio ambiente. Na prática, os interesses da sociedade e da vida no planeta devem prevalecer sobre os interesses financeiros.

Neste sentido, a Rede agregaria desde militantes ecossocialistas, neoanarquistas, eurocomunistas, sociais-democratas até liberais progressistas contrários ao puro laissez-faire do mercado (“neoliberalismo”). No campo religioso, verifica-se a presença em sua militância de cristãos, esotéricos, umbandistas, espíritas, daimistas, budistas, agnósticos e ateus unidos em rede, no mesmo campo ideológico da defesa do Estado laico e da emergência do problema ecológico a ser enfrentado com políticas públicas transversais. Como disse o antropólogo Luiz Eduardo Soares, “a Rede é como a Arca de Noé” onde todas e todos estão engajados na luta pela salvação da vida diante da catástrofe socioambiental e suas diversas e perversas facetas.

Em 03 de outubro de 2013 – a grande decepção – o partido não conseguiu a legalidade por conta de uma estranha contabilidade da Justiça Eleitoral que inviabilizou milhares e milhares de assinaturas de apoio. O destino, trágico, acabou colocando Marina Silva no processo eleitoral através da filiação democrática ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Chegando em terceiro lugar, a Rede decide no segundo turno liberar seus militantes para votar nulo/branco ou votar em Aécio. Marina escolhe Aécio (PSDB) e Dilma (PT) ganharia deste numa das eleições mais apertadas depois da redemocratização do país.

Depois das eleições gerais de 2014, alguns membros da Rede se afastaram da direção, outros se esforçam em criar um novo partido, mas a Rede continua forte e crescendo, mesmo sem o registro no TSE. Entendemos que esse é o momento da unidade daquelas e daqueles que defendem a sustentabilidade contra a fragmentação política. Não há no Brasil um partido político que tenha na sustentabilidade seu paradigma, bem como a radicalização dos processos democráticos (horizontalidade), a busca do consenso progressivo e um diálogo franco com a pós-modernidade progressista.

 

Marina Silva exerce um papel importante e icônico na Rede Sustentabilidade, disso não há dúvidas, mas ao contrário do senso comum, este não é o “partido da Marina”. Ela é mais uma na Rede e a maior testemunha disso é sua postura dialogal com as diferenças, sua capacidade de agregar, seu respeito pelo Outro e o fato de que suas propostas não se impõem ao partido. Definitivamente, Marina está longe de ser uma liderança centralizadora — como Prestes foi para o PCB ou Brizola para o PDT — e isso faz da Rede um partido em movimento, de base, em fluxo, criando unidade nas diferenças.

Diante do governo Dilma (PT), a Rede mantém uma postura de oposição independente. Não quer se alinhar com o PSDB numa guerrilha antipetista que só afundaria mais ainda nosso país, podendo ficar livre para criticar com rigor todos os “malfeitos” do Governo, bem como apoiar iniciativas positivas e apontar soluções públicas alternativas. A Rede, que desde a campanha eleitoral provou que defende uma cultura de paz, não se move pelo ódio, mas pela busca de um projeto societário inclusivo, dialogal, que junte “os melhores” para o bem comum, para o resgate da comunidade.

Para alguns extremistas, trata-se de um “partido de direita”. Para outros, um “partido de centro-esquerda”. A Rede caminha como partido de novo tipo, evitando essas capturas da velha e mistificadora díade — a Rede é uma espécie de queer político! — e apontando para a necessidade de repensarmos esses valores no século 21. O que é ser de esquerda hoje? Qual o significado de socialismo? São questões abertas e postas com ousadia pelo partido, sem dogmatismo.

Esses questionamentos irritam os mais ortodoxos, apegados à modernidade do século passado ou, pior, aos esquemas teórico-mentais do século dezenove. Por outro lado, o pensamento ousado da Rede abre um campo enorme para toda uma geração cansada de rótulos e ávida por transformações reais, concretas e possíveis. A vida está em risco, os direitos dos animais são desrespeitados diariamente, o planeta superaquecido, os desertos se ampliam, a fome grita, as identidades culturais se confrontam, a pobreza e o desemprego destroem famílias, os esgotos escorrem a céu aberto, os rios estão poluídos, jovens negros são assassinados, mulheres estupradas diariamente, extermínio de índios, a homofobia e xenofobia crescendo, o terrorismo que espalha o medo, violações de direitos humanos por toda a parte, efeitos climáticos devastadores, crise energética e, enquanto isso, as carcomidas burocracias políticas de “esquerda” e de “direita” brigam por fatias de poder, ministérios e cargos. Como podem ser tão insensíveis aos dramas reais do mundo? Como tais partidos tradicionais se desconectaram dos movimentos da vida social? Esta é a base do problema da crise de representação. Eles, as elites de poder, parecem viver em outro mundo, fora da realidade.

Se você se incomoda com tudo isso e se identifica com essas ideias da Rede Sustentabilidade, venha unir-se a nós nessa luta por outro Brasil e por um novo mundo sustentável, igualitário, justo e fraterno, mas, independente da sua opinião particular sobre o partido, ajude-nos a legalizar a Rede, garanta esse espaço de vocalização dentro do sistema partidário brasileiro. Não se trata de “mais um partido”, mas de um partido necessário aos novos tempos. A Rede contém elementos diferenciais, basta ler seu Manifesto e Estatutos ou acompanhar suas discussões no ciberespaço e encontros regionais.

Conheça a Rede Sustentabilidade e engaje-se neste movimento.

O planeta agradece.

 

 

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 Marina Silva faz um balanço das eleições de 2014 para o jornalista Roberto D’Ávila

 

 

 

MARCIO SALES SARAIVA é sociólogo/cientista político, apaixonado pelas reflexões teológicas, mestre em políticas públicas pelo PPGSS-UERJ e pai de Tatiana, Michel, Gabriela e Isabela. É um democrata de esquerda que defende os ideais de justiça, igualdade e direitos humanos. Milita na defesa de direitos da comunidade queer/LGBT e considera o amor/caridade como caminho sagrado para o encontro com o Divino.
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